*Síndrome da Filha Única*

Das muitas síndromes que eu tenho, acho que a pior é a da filha única. Pode parecer uma heresia infinita, mas eu não consigo imaginar alguém que seja filho do meu pai e da minha mãe e que não seja eu.

Claro, eu penso assim porque nunca tive irmãos, então essa é uma realidade distante pra mim. Vira e mexe alguém me pergunta se eu não sentia falta de uma irmã, ou irmão, esse tipo de coisa.

A resposta? Não. Nunca senti falta. Eu tinha (e ainda tenho) uma amiga, a Roberta, que conheci com uns 5 ou 6 anos. Ela também é filha única, e a nossa amizade acabou compensando a falta de “irmandade”, em todos os aspectos.

Quando adolescente, descobri que era muito mais vantajoso ter uma irmã-amiga do que uma irmã-irmã. Não brigávamos por causa de roupas (em compensação, trocávamos à vontade), não tinha horário dividido pra andar na mobilete, que era só minha, não tinha ninguém pra me dedurar pros meus pais, enfim, eu não passava absolutamente nada do que as minhas amigas que tinham irmãs passavam. Foi aí que eu descobri, realmente, que ser filha única era muito mais legal…

Claro que quem tem irmãos, vai achar isso tudo que eu escrevi uma blasfêmia. Ou não (vai saber?!). Mas de qualquer maneira, a minha experiência de vida me fez ver que, eu não ia ser mais feliz tendo irmãos.

Depois que tive a Isadora, eu sofro com outro tipo de pergunta, mais freqüente: se eu vou ter outro filho. A resposta, sempre : não, to bem assim, obrigada!

A impressão que eu tenho é que os pais têm a obrigação de terem outro(s) filho(s). Por quê?

Ouço muito dizer: “quem tem um filho, não tem nenhum”. Anhn? Como assim? Não consigo entender essa lógica… Quer dizer que se você tem mais de um filho e (a Deusa o livre e guarde) você perde um, tudo bem, porque tem outro? Não! De jeito nenhum. Cada filho é único pra mãe, mesmo que ela tenha meia dúzia. Por isso não entendo quando ouço essa frase infeliz.

No nosso caso, além de toooodooooo o calvário pra tentar engravidar novamente, hoje tenho a consciência de que não é fácil criar um filho. Seja no aspecto emocional, psicológico ou financeiro. De jeito nenhum.

Eu costumo dizer aos recém-papais, empolgados com aquele bebezinho que só dorme, mama e faz cocô, que esperem até a fase em que a Isadora está neste momento. Se sobreviverem, e ainda assim quiserem ter outro filho, boa sorte! =)

Até hoje, eu não senti nenhum problema em a Isa ser filha única. Ela é uma criança feliz, sorridente, brincalhona e social (e quando quer também é birrenta, manhosa e chorona, mas faz parte), tem vários amiguinhos na escola e fora dela, e não vejo nenhum contra nessa decisão.

Pode ser que daqui há alguns anos eu descubra que esteja errada. Mas ser mãe é isso. Acertar errando e errar acertando, né não?

Mas, de toda forma, a nossa casa transformou-se no Reino Encantado das Filhas Únicas Com Muito Orgulho. E tenho dito.

**Fomos indicadas a Blog 5 estrelas pela . Então, conforme as regras (se seu blog foi escolhido, veja AQUI quais são), os meus 5 blogs indicados são:

Sindrome de Estocolmo
Manga Rosa
Scrapkut
Diario da Blog Mãe
Yalla

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